A formulação das nossas
composições baseou-se na expressão “a casa portuguesa”, que é tão conhecida por
todos. A grande razão para usarmos esta expressão como base é o facto da música
se tratar de um fado, o mais típico e tradicional tipo de música português.
Ao lermos a letra da música
escolhida, decidimos que queríamos retratar um pouco do estilo de vida português
e utilizar algumas das personagens referidas pela cantora na música.
Imediatamente surgiu a ideia da criação de um prédio onde todas estas
personagens fictícias iriam viver, mais tarde decidimos, devido às várias
referências à renovação de baterias, que queríamos dar a forma de uma bateria
ao nosso prédio. Começamos então por desenhar o prédio e algumas das suas
janelas, podemos ver no post anterior os estudos da capa. Inicialmente
desenhamos o prédio e de seguida iniciamos a construção das janelas, passamos
por várias fases até que chegamos à final. Como queríamos invocar a expressão “casa
portuguesa” para o nosso trabalho decidimos inserir uma vertente de fotografia
no trabalho e fomos até à rua fotografar azulejos, com o objetivo de realizar
um padrão que iria ser o “papel de parede” do nosso trabalho. Esta ideia dos
azulejos veio sobretudo pela necessidade que sentimos de retratar o que é
tradicional em Portugal, com o maior nível de realismo. Ao tirar as fotografias
decidimos que queríamos usar maioritariamente azulejos azuis e amarelos, pois
são os mais típicos. Entretanto trabalhamos no que estaria no interior das
janelas do prédio, na janela do lado esquerdo decidimos retratar “o casal do
segundo andar”, referido na música. Na janela imediatamente a baixo temos alguns
ornamentos e um retrato de família, que para nós representa um outro casal
referido na música. Nas janelas do lado direito decidimos não representar
diretamente pessoas, mas sim animais, nomeadamente o gato, e plantas coisas que estão usualmente presentes nas casas. As cores utilizadas nos elementos das janelas
são cores que estão presentes nos azulejos de forma a criar uma coesão e neutralidade.
Os candeeiros que se encontram de ambos os lados do prédio foram colocados quase
na fase final do trabalho, para dar um ar mais autêntico e típico à ilustração.
Quanto à figura do cão e do homem que se encontram no lado inferior direito,
estes representam as pessoas que passam e que observam o dia a dia dos
habitantes do prédio, podendo até representar a cantora da música. A cima de
tudo tentamos representar divertimento, animação e algazarra que são as coisas
mais destacadas tanto na letra da música como no seu ritmo.
Quanto
ao cd inicialmente pensamos incluir um dos elementos mais prominentes da nossa composição,
uma das janelas, mas rapidamente percebemos que não resultaria. De seguida decidimos
utilizar o cd como a fechadura para o prédio, isto é, ao ouvirmos a música
entramos no mundo das pessoas referidas na música, o cd servirá como um portal para
este mundo e a fechadura representa isto. Utilizamos o padrão dos azulejos para
criar uma ligação direta entre o cd e a sua capa.
Para a
realização do nosso trabalho tivemos em atenção a utilização dos elementos
básicos da comunicação como o ponto,
a linha, a forma, o tom, a textura, a direção e a escala,
pois “Sempre que alguma coisa é projetada e feita, esboçada e pintada,
desenhada, rabiscada, construída, esculpida e gesticulada, a substância visual
da obra é composta a partir de uma lista básica de elementos.” [1]
Utilizamos também técnicas de comunicação
visual como, equilíbrio, simetria, regularidade, complexidade, unidade, profusão, exagero, neutralidade,
transparência/opacidade, realismo, justaposição, agudeza, sequencialidade e repetição, que nos oferecem “uma grande variedade de meios para a
expressão visual do conteúdo” (Donis Dondis, 1991).
O ponto é o elemento mais
básico e mais encontrado, este não está diretamente no nosso trabalho, mas a linha está, isto é, podemos entender
que o ponto está presente pois a linha é um conjunto de pontos. A linha tem um
prepósito e uma direção. É possível afirmar que a linha traça uma forma, esta está presente nos retângulos
que representam o prédio, a bateria, as janelas, as portas entre outros
elementos. O retângulo é uma forma básica e de fácil utilização e é usualmente
encontrada no nosso dia a dia. Na nossa composição podemos encontrar o tom no padrão de azulejos, pois entre
eles os tons de azul e amarelo variam. O tom é a ausência ou presença de luz. O
que dá textura à nossa composição é
o padrão dos azulejos, pois a textura substitui as características do tato um
sentido que é impossível utilizar numa representação gráfica. O padrão de
azulejos resulta em textura pois não se trata de representação, mas sim de
fotografias de azulejos reais. Podemos encontrar direção nas escadas que se encontram no meio da composição dentro
de duas das janelas, a direção de um movimento pode ser explicada pela linha
que leva do ponto inicial do movimento ao seu suposto ponto final. Existe escala no nosso trabalho em quase todos
os elementos, entre as janelas e o prédio, a porta e o prédio, o homem e o cão.
Sendo que a relação que mais se realça é entre o homem o cão e a porta do
prédio. “A escala pode ser estabelecida não só através do tamanho relativo das
pistas visuais, mas também através das relações com o campo ou com o ambiente.”
(Donis Dondis, 1991).
Quanto às técnicas de comunicação
visual, na nossa composição podemos encontrar o equilibro, que é uma das mais importantes técnicas de comunicação, existe
na forma como as partes se separam para compor a mensagem, este também é
transmitido através de formas geométricas, neste caso os retângulos que estão
presentes nas janelas, na porta etc. Na nossa composição existe também simetria, nomeadamente, nas janelas
pois são repetidas exatamente da mesma forma do outro lado. Por consequência da
simetria existe também a repetição.
Consideramos que também exista, na nossa composição, regularidade. Esta está presente no padrão de azulejos pois todos
os azulejos têm o mesmo tamanho assim como as janelas. Existe também unidade, pois apesar de existirem
vários elementos a nossa composição resulta e é entendida como um todo. Três
técnicas que são semelhantes e que utilizamos no trabalho são a complexidade, a profusão o exagero que
se refletem na existência de vários e diversos ornamentos (por exemplo os
elementos desenhados nas janelas). Apesar da utilização de tantos elementos, estes
conjugam-se na perfeição e existe equilíbrio entre eles. Mantendo como objetivo
que a composição fosse lida como um todo utilizamos a técnica da neutralidade, isto é, nada na nossa
composição está destacado o que faz com que todos os elementos possuam o mesmo
grau de importância. Quanto ao uso dos opostos transparência/opacidade, estes estão presentes em diferentes elementos.
Podemos afirmar que existe transparência nas janelas, pois é possível ver para
dentro destas, isto é, conseguimos ver o interior dos apartamentos. A opacidade
está presente, sobretudo, na porta de entrada do prédio pois para além do facto
de esta ter uma cor forte é opaca o que impede que se veja o que está no
interior. Uma das técnicas que consideramos ser a mais importante a utilizar é
o realismo, pois queríamos representar
com a maior fieldade um prédio real. A justaposição
é verificada nas janelas que contêm diferentes pessoas e objetos, exprimindo
interação dos estímulos visuais. A sequencialidade
é encontrada pelo facto que nenhum dos elementos das janelas está lá por acaso estabelecendo
uma ordem lógica. A composição é clara e de fácil compreensão verificando-se
assim a presença da agudeza.


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