sábado, 19 de março de 2016

#1 Proposta - Memória Descritiva

A formulação das nossas composições baseou-se na expressão “a casa portuguesa”, que é tão conhecida por todos. A grande razão para usarmos esta expressão como base é o facto da música se tratar de um fado, o mais típico e tradicional tipo de música português.

            Ao lermos a letra da música escolhida, decidimos que queríamos retratar um pouco do estilo de vida português e utilizar algumas das personagens referidas pela cantora na música. Imediatamente surgiu a ideia da criação de um prédio onde todas estas personagens fictícias iriam viver, mais tarde decidimos, devido às várias referências à renovação de baterias, que queríamos dar a forma de uma bateria ao nosso prédio. Começamos então por desenhar o prédio e algumas das suas janelas, podemos ver no post anterior os estudos da capa. Inicialmente desenhamos o prédio e de seguida iniciamos a construção das janelas, passamos por várias fases até que chegamos à final. Como queríamos invocar a expressão “casa portuguesa” para o nosso trabalho decidimos inserir uma vertente de fotografia no trabalho e fomos até à rua fotografar azulejos, com o objetivo de realizar um padrão que iria ser o “papel de parede” do nosso trabalho. Esta ideia dos azulejos veio sobretudo pela necessidade que sentimos de retratar o que é tradicional em Portugal, com o maior nível de realismo. Ao tirar as fotografias decidimos que queríamos usar maioritariamente azulejos azuis e amarelos, pois são os mais típicos. Entretanto trabalhamos no que estaria no interior das janelas do prédio, na janela do lado esquerdo decidimos retratar “o casal do segundo andar”, referido na música. Na janela imediatamente a baixo temos alguns ornamentos e um retrato de família, que para nós representa um outro casal referido na música. Nas janelas do lado direito decidimos não representar diretamente pessoas, mas sim animais, nomeadamente o gato, e plantas coisas que estão usualmente presentes nas casas.  As cores utilizadas nos elementos das janelas são cores que estão presentes nos azulejos de forma a criar uma coesão e neutralidade. Os candeeiros que se encontram de ambos os lados do prédio foram colocados quase na fase final do trabalho, para dar um ar mais autêntico e típico à ilustração. Quanto à figura do cão e do homem que se encontram no lado inferior direito, estes representam as pessoas que passam e que observam o dia a dia dos habitantes do prédio, podendo até representar a cantora da música. A cima de tudo tentamos representar divertimento, animação e algazarra que são as coisas mais destacadas tanto na letra da música como no seu ritmo. 


Quanto ao cd inicialmente pensamos incluir um dos elementos mais prominentes da nossa composição, uma das janelas, mas rapidamente percebemos que não resultaria. De seguida decidimos utilizar o cd como a fechadura para o prédio, isto é, ao ouvirmos a música entramos no mundo das pessoas referidas na música, o cd servirá como um portal para este mundo e a fechadura representa isto. Utilizamos o padrão dos azulejos para criar uma ligação direta entre o cd e a sua capa. 




 Para a realização do nosso trabalho tivemos em atenção a utilização dos elementos básicos da comunicação como o ponto, a linha, a forma, o tom, a textura, a direção e a escala, pois “Sempre que alguma coisa é projetada e feita, esboçada e pintada, desenhada, rabiscada, construída, esculpida e gesticulada, a substância visual da obra é composta a partir de uma lista básica de elementos.”  [1]

 Utilizamos também técnicas de comunicação visual como, equilíbrio, simetria, regularidade, complexidade, unidade, profusão, exagero, neutralidade, transparência/opacidade, realismo, justaposição, agudeza, sequencialidade e repetição, que nos oferecem “uma grande variedade de meios para a expressão visual do conteúdo” (Donis Dondis, 1991).

 O ponto é o elemento mais básico e mais encontrado, este não está diretamente no nosso trabalho, mas a linha está, isto é, podemos entender que o ponto está presente pois a linha é um conjunto de pontos. A linha tem um prepósito e uma direção. É possível afirmar que a linha traça uma forma, esta está presente nos retângulos que representam o prédio, a bateria, as janelas, as portas entre outros elementos. O retângulo é uma forma básica e de fácil utilização e é usualmente encontrada no nosso dia a dia. Na nossa composição podemos encontrar o tom no padrão de azulejos, pois entre eles os tons de azul e amarelo variam. O tom é a ausência ou presença de luz. O que dá textura à nossa composição é o padrão dos azulejos, pois a textura substitui as características do tato um sentido que é impossível utilizar numa representação gráfica. O padrão de azulejos resulta em textura pois não se trata de representação, mas sim de fotografias de azulejos reais. Podemos encontrar direção nas escadas que se encontram no meio da composição dentro de duas das janelas, a direção de um movimento pode ser explicada pela linha que leva do ponto inicial do movimento ao seu suposto ponto final. Existe escala no nosso trabalho em quase todos os elementos, entre as janelas e o prédio, a porta e o prédio, o homem e o cão. Sendo que a relação que mais se realça é entre o homem o cão e a porta do prédio. “A escala pode ser estabelecida não só através do tamanho relativo das pistas visuais, mas também através das relações com o campo ou com o ambiente.” (Donis Dondis, 1991).
                
 Quanto às técnicas de comunicação visual, na nossa composição podemos encontrar o equilibro, que é uma das mais importantes técnicas de comunicação, existe na forma como as partes se separam para compor a mensagem, este também é transmitido através de formas geométricas, neste caso os retângulos que estão presentes nas janelas, na porta etc. Na nossa composição existe também simetria, nomeadamente, nas janelas pois são repetidas exatamente da mesma forma do outro lado. Por consequência da simetria existe também a repetição. Consideramos que também exista, na nossa composição, regularidade. Esta está presente no padrão de azulejos pois todos os azulejos têm o mesmo tamanho assim como as janelas. Existe também unidade, pois apesar de existirem vários elementos a nossa composição resulta e é entendida como um todo. Três técnicas que são semelhantes e que utilizamos no trabalho são a complexidade, a profusão o exagero que se refletem na existência de vários e diversos ornamentos (por exemplo os elementos desenhados nas janelas). Apesar da utilização de tantos elementos, estes conjugam-se na perfeição e existe equilíbrio entre eles. Mantendo como objetivo que a composição fosse lida como um todo utilizamos a técnica da neutralidade, isto é, nada na nossa composição está destacado o que faz com que todos os elementos possuam o mesmo grau de importância. Quanto ao uso dos opostos transparência/opacidade, estes estão presentes em diferentes elementos. Podemos afirmar que existe transparência nas janelas, pois é possível ver para dentro destas, isto é, conseguimos ver o interior dos apartamentos. A opacidade está presente, sobretudo, na porta de entrada do prédio pois para além do facto de esta ter uma cor forte é opaca o que impede que se veja o que está no interior. Uma das técnicas que consideramos ser a mais importante a utilizar é o realismo, pois queríamos representar com a maior fieldade um prédio real. A justaposição é verificada nas janelas que contêm diferentes pessoas e objetos, exprimindo interação dos estímulos visuais. A sequencialidade é encontrada pelo facto que nenhum dos elementos das janelas está lá por acaso estabelecendo uma ordem lógica. A composição é clara e de fácil compreensão verificando-se assim a presença da agudeza.




[1] DONDIS, Donis A. A sintaxe da linguagem visual. São Paulo: Martins Fontes, 1991,pp.51-83

#1 Proposta - Estudos


Antes de realizarmos o trabalho final, passamos por algumas fases de estudo tanto na capa do cd como no cd. Enquanto que na capa foi um processo mais longo, no cd após um estudo percebemos o que resultaria melhor.


Capa

Prédio 1 

Prédio 2

Prédio 3

Prédio 4

Prédio 5

Cd

Cd

sexta-feira, 18 de março de 2016

#1 Proposta - Recolha Fotográfica


 Recolha fotográfica utilizada no trabalho final, nomeadamente, no padrão de azulejos que faz de "papel de parede" do prédio. Nestas fotografias é possível encontrar os elementos básicos e as técnicas de comunicação visual.






















quarta-feira, 16 de março de 2016

#1 Proposta - Escolha da Música

 A música que escolhemos é da fadista Ana Moura e intitula-se "Dia de Folga", decidimos escolher esta música pois achamos que seria interessante explorar elementos tipicamente portugueses. Selecionamos esta música pois tem uma letra com vários elementos e um ritmo muito animado, o que nos permitiu ser mais criativas na realização da composição. 

"Dia de Folga", Ana Moura


Manhã na minha ruela, sol pela janela
O Sr. jeitoso dá tréguas ao berbequim

O galo descansa, ri-se a criança
Hoje não há birras, a tudo diz que sim

O casal em guerra do segundo andar
Fez as pazes, está lá fora a namorar

Cada dia é um bico d'obra
Uma carga de trabalhos, faz-nos falta renovar
Baterias, há razões de sobra
Para celebrarmos hoje com um fado que se empolga
É dia de folga!

Sem pressa de ar invencível, saia, saltos, rímel
Vou descer à rua, pode o trânsito parar

O guarda desfruta, a fiscal não multa
Passo e o turista, faz por não atrapalhar

Dona Laura hoje vai ler o jornal
Na cozinha está o esposo de avental

Cada dia é um bico d'obra
Uma carga de trabalhos, faz-nos falta renovar
Baterias, há razões de sobra
Para celebrarmos hoje com um fado que se empolga
É dia de folga!

Folga de ser-se quem se é
E de fazer tudo porque tem que ser
Folga para ao menos uma vez
A vida ser como nos apetecer

Cada dia é um bico d'obra
Uma carga de trabalhos, faz-nos falta renovar
Baterias, há razões de sobra
Para a tristeza ir de folga e o fado celebrar

Cada dia é um bico d'obra
Uma carga de trabalhos, faz-nos falta renovar
Baterias, há razões de sobra
Para celebrarmos hoje com um fado que se empolga
É dia de folga

Este é o fado que se empolga
No dia de folga!
No dia de folga!